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Metodologia BHADS · desenvolvimento de produtos e serviços

Método SEC

A maioria dos produtos de uma PME nasce da intuição do fundador. O método SEC troca a intuição por três fontes de verdade que têm de girar juntas: o que a empresa sabe fazer, o que o mercado já validou e o que o cliente diz quando lhe perguntam bem.

SSaber técnico — o que sabemos fazer, escrito, com custo, prazo e limite.
EEngenharia reversa — o que os 5 maiores já validaram nas redes, e onde ninguém está.
CClientes — o que dizem e já pagaram, registado em formulário.
A premissa

Produtos não falham por falta de talento

Falham porque foram desenhados com uma fonte de informação só. É sempre a mesma história, com três versões.

Desenhado só com o saber do dono, o produto fica tecnicamente bom e comercialmente mudo — excelente, e ninguém percebe para que serve. Desenhado só a olhar para a concorrência, fica uma cópia, e uma cópia só tem um argumento: baixar o preço. Desenhado só com o que o cliente pede, fica preso ao que o cliente já conhece, porque ninguém pede aquilo que nunca viu.

O SEC obriga às três. E a ordem não é decoração: não se faz engenharia reversa de um mercado que não se domina tecnicamente, e não se interpreta o que um cliente diz sem ter as duas primeiras na mão.

O framework

Três engrenagens, um produto

As três rodas engrenam na mesma roda central. Não é uma metáfora solta: se uma para, param todas — e a roda que move o produto é a última a andar.

Framework SEC — três engrenagens, um produto PRODUTO OU SERVIÇO S E C
Uma roda motriz de 18 dentes, três satélites de 12, o mesmo passo de dente nas quatro. O desenho é o argumento: nenhuma gira sozinha.

O que sai quando falta uma roda

TemFaltaO produto que sai
SE · CTecnicamente bom, e ninguém procura. O clássico «isto é muito melhor e não vende».
ES · CCópia do concorrente. Sem diferenciação, o único argumento que sobra é o preço.
CS · EAquilo que o cliente já conhece, um pouco mais barato. Não é produto, é desconto.
S · ECUma aposta bem informada. Continua a ser aposta.
S · CEPreço abaixo do mercado, por não saber o que o mercado cobra.
E · CSPromessa boa que a operação não cumpre. O pior dos seis: queima o cliente.
Estágio 01

Saber técnico

O que é que esta empresa sabe fazer melhor do que a média — e a que custo?

Escreve-se o ofício. Não o que o dono gosta de fazer: o que a empresa entrega com qualidade repetível, com que gente, em quanto tempo, a que custo e com que taxa de erro. E escreve-se o inverso, que é a parte que ninguém faz: o que não sabemos fazer — e que por isso não entra no produto, nem na promessa.

Entregável — ficha de capacidade. Uma página por serviço: o que é, quem executa, quanto tempo leva, quanto custa em mão de obra e materiais, o que costuma correr mal e qual é o limite técnico.

Regra de saída: se ninguém na empresa consegue explicar o ofício em duas páginas, o produto ainda não existe — existe uma pessoa. E uma pessoa não escala.

Estágio 02

Engenharia reversa

O que é que o mercado já está a validar — e onde é que ninguém está?

Escolhem-se os 5 maiores concorrentes nas redes sociais e estuda-se o que publicam. Não para copiar: para ler as duas coisas que um concorrente não consegue esconder. O que repete — repetir custa dinheiro e tempo, por isso só se repete o que está a funcionar. E o que nunca diz — o silêncio de todos eles ao mesmo tempo é a abertura por onde se entra.

A grelha dos 5 — uma linha por concorrente

01QuemNome, rede, dimensão da audiência e a data em que observou. Sem data, a grelha é opinião.
02PromessaA frase com que prometem, copiada literalmente — não resumida.
03Para quemO cliente que aparece nos exemplos, não o que dizem servir.
04ProvaO que mostram como prova: obra, número, testemunho, certificado — ou nada.
05PreçoO que comunicam sobre preço. «Sob consulta» também é informação.
06FormatoQue formatos usam e com que frequência publicam.
07Repete / nunca dizO tema que volta sempre, e o assunto que nenhum deles toca.

Entregável — grelha dos 5 e a lacuna. A tabela preenchida e, no fim, uma frase: o que nenhum dos cinco está a dizer e nós podemos provar.

Regra de saída: 5 concorrentes, as publicações recentes de cada um, uma data de observação. Se a lacuna que encontrou não é sustentável pela ficha de capacidade do estágio 01, não é uma lacuna — é uma tentação.

Estágio 03

Clientes

O que é que o cliente já fez e já pagou — não o que imagina que faria?

Ouve-se quem pagou, quem não pagou e quem deixou de pagar. As três respostas valem; a do meio é a mais útil e a que ninguém procura. E pergunta-se sobre o passado, não sobre hipóteses: «pagava 200 € por isto?» não vale nada, porque a resposta é grátis. «O que já pagou para resolver isto, e a quem?» vale tudo.

Registado em formulário, durante a conversa. Memória não é dado: ao fim do dia já não se sabe quem disse o quê, e a frase do cliente — a única coisa que depois serve de copy — desaparece.

Regra de saída: nenhuma conversa fecha sem próximo passo e data. Uma resposta sem data desaparece da operação no dia seguinte, sem avisar ninguém.

Estágio 03 · instrumento

Formulário SEC

Oito perguntas, todas sobre o que já aconteceu. Preencha durante a conversa, ou envie o link ao cliente para responder do telemóvel.

As respostas ficam registadas no nosso CRM como atividade da sua empresa, com a origem deste formulário. Sem cookies de rastreio e sem lista de emails automática.

O resultado

Uma ficha de produto, com fonte em cada campo

As três rodas produzem uma coisa só: uma ficha que qualquer pessoa da equipa consegue ler e vender. O critério de aceitação é simples — cada campo aponta para a engrenagem de onde veio. Campo sem fonte é suposição, e escreve-se como tal.

CampoO que respondeFonte
NomeComo se chama, em linguagem de clienteE · C
Para quemO perfil que compra — e o que não serveC
A dorUma frase, nas palavras do clienteC
O que incluiEntregáveis concretos e contáveisS
O que não incluiOs limites, escritos antes de venderS
Como se entregaPassos, prazos, quem fazS
Quanto custaPreço e modalidade, do catálogo aprovadoS · E
Como se provaA prova que existe hoje — não a desejávelS · C
Como se vendeA frase de abertura e a objeção principalE · C

Volta-se a girar as rodas quando um concorrente muda a promessa, quando a proposta deixa de fechar duas vezes pelo mesmo motivo, ou quando a operação deixa de cumprir o que a ficha promete.

Perguntas diretas

O que costumam perguntar

O que é o método SEC?

É a metodologia própria da BHADS para desenvolver produtos e serviços. Junta três fontes de informação que têm de ser usadas em conjunto: S de saber técnico, E de engenharia reversa dos cinco maiores concorrentes nas redes sociais e C de clientes — o que dizem e já pagaram, registado em formulário.

Porque são precisas as três e não só uma?

Porque cada fonte sozinha produz um erro previsível: só saber técnico dá um produto bom que ninguém procura; só engenharia reversa dá uma cópia que compete por preço; só clientes dá aquilo que o cliente já conhece. A tabela dos seis modos de falha, acima, mostra cada combinação.

Porque cinco concorrentes e não dez?

Cinco é o número que uma PME consegue observar com profundidade e voltar a observar mais tarde. Com dez, a grelha fica preenchida a metade e deixa de se repetir. O que interessa não é a quantidade: é ler o que cada um repete e o que nenhum deles diz.

Isto serve para serviços ou só para software?

Para os dois. O estágio 01 muda de conteúdo — numa empresa de serviços é o ofício e o custo-hora; num produto de software é a capacidade técnica e o custo de operação — mas a estrutura é a mesma.

Quanto custa aplicar o SEC à minha empresa?

Depende do escopo, e não publicamos preço sem ver a operação. O primeiro passo é a triagem de dois minutos; se houver encaixe, o valor vai na proposta, a partir do catálogo aprovado.